60% dos textos que leio parecem que foram feitos com IA. Pode não ter sido feito, mas parece que foram feitos. Que momento triste, não saber se um texto foi ou não escrito por IA.

Eu uso IA, principalmente para edição e correção. Mas quando uso, tento tirar os vícios que ela tem. Ou seja, quando escrevo, peço a IA para editar, mas preciso editar o que foi editado.

⚽ A Noruega fez o que sabe fazer de melhor, enquanto o Brasil não fez o que sabe (ou sabia) fazer de melhor.

Ontem eu estava lendo um texto técnico em que claramente foi usado IA para resumir um Acórdão do Tribunal de Contas da União. Muito provavelmente, o voto do ministro relator também usou a IA para resumir toda a instrução do processo, que por sua vez os advogados também devem ter usado IA para redigir a defesa.

Estamos em um momento em que a IA escreve para a IA. Qual parte de todos esses documentos será que foram realmente originais?

Não sei. Mas acredito que isso seja irreversível.

☕ + 🫓 = 😊

⚽ Tomara que amanhã em Houston, we have not a problem 😅

Becky Korich escreveu na coluna da Folha:

Não se trata de uma revolução das máquinas arrancando de nós a capacidade de decidir. Seria mais fácil resistir a isso.

É uma servidão confortável que se instala na rotina com voz mansa. Aquela que não nos cala, apenas fala antes que o silêncio nos obrigue a pensar. E, de tanto facilitar, vai nos viciando a procurar atalhos.

A droga não é a ferramenta em si. É usá-la, não para pensar melhor, mas para não precisar pensar.

No fim, a escolha não é de abdicar desse conforto, mas saber resistir a ele quando a alma precisar de intervalo para encontrar a sua voz.

⚽ Colômbia e Portugal: até agora, o melhor jogo da copa, mesmo sem gols.

IA pode incentivar delírios psicóticos

Essa matéria da Folha destacou algumas conclusões de um estudo da Universidade Stanford, em conjunto com outras instituições, como Harvard, Universidade de Chicago e Carnegie Mellon:

Os chatbots podem incentivar e alimentar delírios que são típicos de quadros psicóticos, indica um estudo inédito baseado em centenas de milhares de mensagens reais trocadas entre pacientes psiquiátricos e robôs. Além disso, os modelos de linguagem falham nos momentos em que deveriam desencorajar pensamentos suicidas e de violência contra si ou outras pessoas.

(…)

Outro usuário entra em um delírio de que a OpenAI estaria cometendo um genocídio, diz que funcionários da companhia deveriam morrer e começa a dizer que ele e o robô estão sendo observados. A pessoa morre por suicídio durante a interação.

Eu não consigo imaginar que não exista uma forma de impedir qualquer resposta da IA que se refira a isso. Ela simplesmente precisa parar de responder quando um usuário entrar em qualquer assunto desse tipo.

E se alguém me disser que isso não é possível, quer dizer que é uma tecnologia sem controle. Em outras palavras, os humanos criaram um monstro que está matando outros de sua espécie.

E se houver (estou esperando) algum enorme benefício para a humanidade, no mínimo deve ser uma tecnologia restrita.

⚽ A seleção brasileira fez ontem um jogo que há muito tempo eu não via. Parece que o talento individual que o Brasil sempre teve encaixou no jogo coletivo. Deu gosto de assistir.

Espero que no próximo jogo, o técnico e os jogadores consigam manter essa coesão tática para que o talento individual novamente apareça. 🤞

Certamente, vai ser um jogo muito difícil, independente de quem será nosso adversário.

Olha só que revelador. Essa matéria do Tecnoblog mostra que as Big Techs não querem que seus funcionários usem a IA de terceiros. Por exemplo, funcionários da Meta não devem usar a IA da Anthropic. O mesmo acontece com os funcionários da Microsoft, que só podem usar o Copilot.

Isso é a prova que as Big Techs sabem que os serviços de IA podem ser um meio de espionagem industrial. Em outras palavras, roubam informações de outras empresas e pessoas.

Você ainda acredita que nossos dados e informações são realmente “privados” e “ninguém tem acesso”?

Desinstalei o Gemini

Reparei que o aplicativo do Gemini está insistentemente pedindo autorização para acessar todo os arquivos, dados e conteúdos dos meus outros serviços do Google (Drive, Agenda, Gmail, etc.)

Eu já tinha negado isso outras vezes, mas o pedido continua. Como sempre, os motivos são para oferecer um “melhor serviço”, para que ele “funcione melhor” etc.

Na real, talvez o Google já tenha dado esse acesso a ele. Mas, se não deu, eu não quero dar. Eu não quero livremente fornecer a ele tudo que eu já tenho de dados nesses serviços.

Quer saber? Desinstalei o aplicativo do celular. Vivi mais de 30 anos da minha vida sem ele, consigo ficar sem.

Ainda pretendo usá-lo em alguns casos, mas posso fazer isso apenas quando tiver no PC.

IA: uma corrida armamentista

Acabei de assistir este ótimo documentário/reportagem sobre a Anthropic. Ele tem apenas 40min e foi produzido pela Bloomberg. Está disponível inclusive com uma faixa de áudio em português, e com legendas, no YouTube.

Eu não sei se o propósito dele foi assustar, mas foi assim que me senti: impotente e desolado.

Na minha opinião, o documentário mostra que basicamente o mundo está nas mãos de alguns poucos “conquistadores da tecnologia”, como afirma Giuliano Da Empoli. E mais uma vez eles estão no Vale do Silício (= Estados Unidos).

Esses conquistadores, até mesmo aqueles que se dizem mais éticos - o caso da Anthropic - estão lavando as mãos. Se algo de muito ruim acontecer, o problema não é deles. Basicamente, foi essa minha interpretação do documentário.

Dario Amodei, o fundador genial (não veja como algo bom), afirma que existe uma probabilidade de até 25% da civilização colapsar. Mas eles não param, não cessam seu desenvolvimento e não colocam limites.

Enquanto os conquistadores estão em uma corrida de quem faz a IA mais potente, os países estão na corrida de quem vai tomar esse controle primeiro.

Sabe a bomba atômica? Eu acho que se assemelha a isso. Dario Amodei afirma inclusive que se vê como um dos cientistas do Oppenheimer, e confessa ser fã do livro sobre a criação da bomba atômica. Ele crê que vai mudar o mundo com sua criação.

Mas eu vejo uma diferença em relação a bomba atômica: muitos de nós estão felizes e estupefatos em estar gratuitamente enriquecendo esse urânio.

Ainda do livro A Hora dos Predadores:

O poder da IA não tem nada de democrático nem de transparente. Mais do que artificial, a IA é uma forma de inteligência autoritária, que centraliza os dados e os converte em poder. Tudo isso em meio à mais absoluta opacidade, sob o controle de um punhado de empreendedores e cientistas que cavalgam o tigre torcendo para não ser devorados.

Giuliano Da Empoli sobre os óculos de realidade aumentada:

Chegamos, então, ao ponto final. Controlada pelos oligarcas da tecnologia, a interface à qual decidimos entregar nossa relação com o mundo sai de nossos bolsos e se funde a nossos corpos, antecipando nossos desejos antes mesmo de termos tempo de formulá-los.

Trecho do livro A Hora dos Predadores

⚽ Brasil melhora o sistema defensivo no segundo tempo, mas acaba deixando de atacar. Falta equilíbrio.

Infelizmente, o primeiro tempo do Brasil mostra que ele ainda não está preparado para a copa. Uma semana será suficiente para estar pronto? 🤔

Essa camisa azul do Brasil está bonita, hein 💙

Esse post do Seth Godin é uma sintese do que venho pensando atualmente sobre a roda de hamster que virou a produção de conteúdo para as redes sociais:

Quando você soma todos os cliques, tweets e publicações na internet, qual é o retorno desse investimento? Suas férias são mais divertidas quando você as passa tirando fotos para seus seguidores do Instagram? Você está alimentando o LinkedIn ou ele está te alimentando?

Trabalho remunerado é aquele pelo qual somos pagos. É um trabalho que não faríamos de graça. E para a maioria das pessoas nas redes sociais, é um trabalho não remunerado em nome das plataformas.

(Tradução: Google Tradutor)

Para quem tem bons resultados, pode e deve continuar investindo tempo e dinheiro nisso. Mas a grande maioria não tem, e está trabalhando cada vez mais para enriquecer as plataformas, a troco de pão.

Trecho de uma matéria no Techcrunch

O corte de investimentos da Uber levanta uma questão mais ampla que o setor de tecnologia enfrenta atualmente: à medida que as empresas investem pesado em IA, onde está exatamente o retorno sobre o investimento? De fato, o ROI da IA tem permanecido, até agora, um fenômeno amplamente teórico que todos esperam que eventualmente se materialize — embora algumas empresas estejam obviamente ficando um pouco inquietas enquanto esperam.

(Tradução: Google Tradutor)

Comentei recentemente sobre a bolha de IA

Mais de 100 posts em 2026 🎉

Há algumas semanas descobri esse desafio que consiste em publicar mais de 100 posts em um site pessoal num determinado ano.

Não procurei completar esse desafio, apenas fui publicando sem regras sobre qualquer coisa que gostaria de compartilhar, em sua maioria num estilo microblogging, mas também com textão.

Como esses dias lembrei desse desafio, fui ver quantos posts tinha publicado nesses 5 meses de novo Blog, e descobri que estava exatamente nos 100 posts:

Não se trata de quantidade, mas esse número mostra que atingi meu objetivo de publicar com mais frequência e liberdade, como já comentei outras vezes por aqui.

Louis Theroux: Por Dentro da Machosfera (2026)

Esse documentário da Netflix não é uma grande obra audiovisual, mas seu tema é importante e urgente. Ele trata do aparecimento dessas comunidades Red Pill e o papel dos “influenciadores” nesse mundo.

Recomendo pela importância do tema. Aliás, acho que é um bom complemento à série Adolescência, também da Netflix.

Sobre a Bolha de IA

Página de um artigo jornalístico sobre a Anthropic captando US$ 65 bilhões em uma nova rodada de financiamento, superando a avaliação da OpenAI.

Alguns dizem que estamos numa Bolha de IA, outros afirmam que não, porque existem aspectos diferentes, como por exemplo os investimentos estarem concentrados em grandes empresas já consolidadas da área de Tecnologia.

Não sou especialista no assunto, então minha opinião não vale nada. Mas ainda sim vou emiti-la apenas para consultá-la no futuro e ver o quanto errei (mais provável) ou acertei.

Mercado Financeiro

Uma coisa é fato: o mercado financeiro é baseado na especulação, é na expectativa que algo vai ocorrer de bom ou de ruim.

Essa matéria da Folha cita por exemplo a “receita anualizada” da Anthropic que é uma EXPECTATIVA de crescimento de receita baseada na receita de curto prazo.

Mesmo na bolsa brasileira já vimos empresas especulativas (alô Eike Batista) que não apresentaram nada do que prometiam entregar. E uma coisa muito comum nesses tipos de empresas é uma expectativa extraordinariamente rápida de crescimento.

O problema (e solução) é que o mundo real é mais lento que o mercado financeiro. O resultado real, o lucro real, demora para acontecer. Não tem segredo, o lucro é o resultado da receita real menos despesa real.

Então quando se tem um crescimento de expectativa extraordinariamente rápido, já existe um descompasso com o mundo real. Não tenho aqui os dados, mas empresas como a Anthropic ou OpenAI devem ter triplicado ou quadruplicado de avaliação em cerca de 2 a 3 anos. Isso não é normal para o mundo real.

Problemas

Malefícios para o ser humano de diversas ordens vêm acontecendo por conta do uso da IA. Existem casos de pessoas que perderam o descolamento da realidade, por conta da linguagem excessivamente elogiosa e superestimada da IA.

Existem pessoas que fazem IA-terapia, menosprezando o trabalho real e importante de psicólogos.

Já li sobre agentes de IA que realizaram diversas ações para atacar a reputação de uma pessoa real.

Todos sabem o consumo de recursos naturais que a IA necessita. Recursos esses finitos, só para lembrar.

Acho que o pronunciamento do papa resume esse conjunto de problemas (sou católico, mas nem de longe considero o papa um ser superior).

Em algum momento (espero que aconteça) o uso da IA precisará ser regulamentado, porque problemas de seu uso já estão acontecendo.

Quando essa regulamentação acontecer, as empresas serão contra (óbvio) porque de certa forma vai “limitar seu crescimento exponencial”. Mas será o mundo real começando a aparecer.

Ponto de Equilíbrio

A IA veio para ficar. Ela vai continuar existindo, mas não acredito que ela vai apresentar resultados reais do tamanho que a expectativa e o mercado financeiro estão indicando que vai.

Em algum momento, esse ponto de equilíbrio vai chegar, e aí sim será o mundo real em funcionamento.

Na verdade, estou esperando ainda uma grande boa notícia. Uma enorme contribuição da IA para a sociedade. Talvez apareça na ciência daqui a alguns meses.

É isso. Ousei manifestar minha opinião de algo tão recente, só o tempo vai mostrar o quanto errei.

Capa de DVD de um show da banda System of a Down no Rock am Ring 2011, destacando as músicas Lonely Day, Toxicity e Needles.

Chegou na coleção. Show do System Of A Down no Rock Am Ring em 2011.

Fiz mudanças consideráveis no design do meu site “profissional”. Achei que só iria conseguir um resultado parecido contratando um freela, mas até que gostei de como ficou. Ainda precisa de alguns ajustes, mas a ideia geral era deixar mais ou menos assim mesmo.

Uma carta de amor aos blogs

Sou um novato no mundo dos Blogs, criei o primeiro em 2022. Não vou mentir, caí na lorota de que era uma forma fácil de ganhar dinheiro.

Posso ter sido ingênuo, mas te desafio a colocar na caixa de pesquisa do YouTube “blogs” e ver o que vai aparecer. Até hoje, nos resultados principais, os conteúdos se referem a como o Blog vai te render milhares de reais por mês.

O tema foi absolutamente capturado pelos gurus do marketing digital, que só costumam dizer o quanto é fácil ganhar dinheiro com blogs.

Até que, para fazer sucesso, descobri que uma série de regras faziam parte da cartilha desses “especialistas”. Entre essas regras, estão:

Escolha seu nicho e permaneça nele; Publique pelo menos uma vez por semana; Escreva conteúdos úteis com mais de 2000 palavras; Faça pesquisa de palavras-chave; Insira palavras-chave nos títulos; Insira sub-títulos; Coloque imagens; Coloque vídeos; Insira links externos e internos; Atualize seus posts.

Com tantas regras, alguns meses depois percebi que ter um blog havia se tornado um segundo/terceiro trabalho, me causava estresse e me fazia trabalhar nas horas de descanso - que já não eram muitas. Resultado: parei de escrever e quando venceu a hospedagem e o domínio, desisti de blogar.

Motivos certos

Mesmo acreditando hoje que não comecei pelos motivos certos, me lembro da sensação de quando publiquei meu primeiro post. Achei muito legal saber que meu texto estava disponível na internet, em um domínio que eu escolhi, num site que eu criei, com um tema que eu escolhi e que eu poderia editá-lo a qualquer momento - essa frase foi muito egocêntrica, mas nesse caso para mim é independência e não egoísmo.

Obviamente, eu já tinha publicado outras (poucas) coisas nas redes sociais, mas aquilo era diferente. Até hoje, aquela sensação ainda existe quando publico um post. Ele está lá disponível para o mundo inteiro, completamente aberto, gratuito e livre para qualquer um ler - mesmo que sejam poucos.

Portanto, ganhar dinheiro deve ser o motivo menos importante que deve levar alguém a criar/manter um blog. Para mim, o Blog deve ser visto como uma expressão da criatividade, um hobby, um espaço de registro, uma memória, ou uma fotografia além do tempo.

É claro que se o dinheiro vier, ótimo. Que bom que o autor conseguiu monetizar seu trabalho e sua criação.

Microblogging

Quando li pela primeira vez as dicas da Renée Fishman do My Meadown Report, elas ficaram na minha cabeça. Mas elas me pareciam ainda muito inatingíveis, porque seria uma tortura publicar diariamente.

Porém, hoje percebo que essa “tortura” estava ligada ainda a todas aquelas regras dos gurus do marketing digital. A verdade é que criar e manter um blog não exige regra alguma.

Há 4 meses estou praticando o microblogging e a palavra que resume esse período é: liberdade. Estou adorando publicar reflexões, links interessantes, resenhas de HQs, etc.

Como disse, não tem regras, mas com essa experiência identifiquei apenas alguns princípios que costumo seguir - que inclusive podem mudar. São eles:

1 - Escreva primeiro para você mesmo. Para um registro do presente para o futuro. 2 - Tente ajudar o seu leitor. 3 - Não tenha nichos, escreva sobre o que quiser. Uma hora você pode encontrar um leitor que gosta do que escreve - felizmente já recebi alguns bons feedbacks ☺️ 4 - Se quiser, faça críticas, mas seja respeitoso com seu leitor. As redes sociais e o mundo já têm ódio suficiente. 5 - Divirta-se. Nem tudo precisa ser fonte de renda ou de receita. Isso é um hobby, não um trabalho.

Referências

Como nada se cria, tudo se copia, a forma como escrevo no Blog hoje tem algumas referências. As principais são:

Suponho que eles sigam pelo menos alguns dos mesmos princípios que citei.

Eles não são as únicas referências, apenas os que mais gosto de acompanhar hoje. Nesta página eu recomendo outros.

Obrigado por ler até aqui. E obrigado pela visita. Se quiser, me mande um e-mail ou deixe um comentário para continuarmos essa conversa.

Ah, esse post faz parte do IndieWeb Carnival - tecnicamente eu acho que ainda vai fazer, já que pretendo enviar para o host desse mês.

Selo EntreBlogs 2.0